Erva de São-João

Hypericum perforatum L.

Família Botânica: Hypericaceae.

Sinonímia botânica: Hypericum angustifolium Lowe

Sinonímia popular: erva-de-são-joão, hipérico, milfurada, pericão.

1) Histórico: O Hypericum perforatum (erva de São João) é utilizado no tratamento da depressão leve a moderada e em outros distúrbios psiquiátricos, em humanos, como uma alternativa comprovadamente eficaz aos antidepressivos sintéticos, e também com excelente tolerabilidade. Essa planta foi também usada largamente na medicina popular em vários países da Europa, durante muitos séculos, para o tratamento de inflamações nos brônquicos e infecções do trato geniturinário, agente cicatrizante no tratamento de feridas, traumas e queimaduras. Atualmente a planta não é muito usada para estes propósitos, mas sim, largamente usada para o tratamento da depressão. O produto medicamente comercial contém o extrato seco padronizado da parte aérea do Hypericum perforatum, colhido no momento de sua florescência. A padronização desse extrato é que garantirá a qualidade deste fitoterápico, em suas diversas apresentações comerciais.

2)Habitat : O Hypericum perforatum é uma planta herbácea perene, pertencente a família das Hiperricoidaea guttiferae e largamente distribuída na Europa, Ásia, norte da África e aclimatada nos Estados Unidos. Na Europa, é comum encontrar o Hypericum perforatum na beira das estradas, vales e bosques. Na medicina caseira, o extrato oleoso das partes aéreas da planta colhidas durante sua florescência, exposto a luz solar por pelo menos várias semanas, apresenta ação antiinflamatória e cicatrizante.

3) Aspectos agronômicos:

  • Propagação: sementes
  • Plantio: no ano todo, exceto em épocas de geadas.
  • Florescimento: junho á setembro
  • Colheita: deve ser feita antes do florescimento. Após a colheita, a planta deve ser imediatamente seca para evitar a degradação de seus princípios ativos.

4) Partes utilizadas: São usadas as sumidades floridas secas, inteiras ou fragmentadas.

5) Indicações: Quadros de distúrbios psicovegetativos (distúrbios psíquicos com efeitos sobre o estado físico), estados depressivos leves e moderados, medo e/ou agitação emocional (ansiedade).

a)      Uso interno:

  • Infusão: 15 a 30 g/l, três ou quatro xícaras ao dia;
  • Extrato Seco (5:1): 0,3 a 1 g/dia;
  • Tintura (1:10): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia.

Obs. A dose recomendada é de 1 comprimido 3 vezes ao dia, preferencialmente às refeições, sem mastigar, ou a critério médico.

b)     Uso externo: Oleato de Hipérico, Tintura, Extrato Fluido ou Hidroglicólico.

6) Contra-indicações: O produto é contra-indicado a pacientes com hipersensibilidade a quaisquer dos componentes da fórmula. Uma vez que até o presente momento não foi comprovada a segurança do Hypericum perforatum em mulheres grávidas ou que amamentam, este produto não deverá ser utilizado por gestantes e lactantes.

7) Efeitos colaterais e tóxicos: É possível a ocorrência de fotossensibilização (sensibilidade aumentada da pele à luz solar), particularmente em pessoas com a pele clara. Os efeitos colaterais mais freqüentes foram irritações gastrintestinais (0,55%), reações alérgica (0, 52%), cansaço (0,40 %) e agitação (0,26%).

8 ) Interações: Numa revisão bibliográfica feita em 2004 é indicado que o hipericão diminui a concentração sanguínea dos contraceptivos orais, amitriptilina, ciclosporina, digoxina, indinavir, metadona, midazolam, nevirapina, simvastatina, teofilina e varfarina, pois é um potente indutor do citocrómio.

 9) Outras informações: Outros componentes de importância biológica isolada de diferentes partes da planta são a hiperforina, hiperisina, adhiperforina e 1,3,6,7 tetrahiddoxi-xantona dotados de atividade antimicrobiana.
O extrato de Hypericum perforatum usado na terapêutica atualmente é preparado extraindo as partes aéreas da planta previamente secas com uma mistura de etanol-água e padronizadas em hipericina na proporção de 7:1, ou seja, 7 partes do Hypericum seco rendem 1 parte do estrato.

10) Óleo Essencial: atividade antimicrobiana.

11) Fitocosmético: oleosidade excessiva da pele e cabelos;
calmante para a pele.

**A ficha dessa planta medicinal foi feita por Eliane Medeiros Furtado (Curriculo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9884191391700642 )

Referências Bibliográficas:

PROENÇA, A.; TEIXEIRA, F; SILVA, A; RODRIGUES, O. Plantas na Terapêutica –Farmacologia e Ensaios Clínicos. Fundação Calouste Gulbenkian.

ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Ediciones. Buenos
Aires. 1998.

AMOROZO, M.C. de M. Abordagem etnobotânica na pesquisa de plantas medicinais. In: DI STASI, L.C. Plantas medicinais: arte e ciência; um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo: UNESP, p. 47-68, 1996.

POSER, G. L.; MENTZ, L. A. Diversidade biológica e sistemas de classificação. In: SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia da planta ao medicamento. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001. p. 63-76.

COSTA, A.F., PROENÇA DA CUNHA, A. Farmacognosia – Farmacognosia experimental. 3ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. v.3.

ANDRADE, F.M.C., CASALI, L. A. Plantas medicinais e aromáticas: relação com o  ambiente, colheita e metabolismo secundário. Viçosa: UFV – Departamento de Fitotecnia, 1999. 139p.

Sobre Fitoterapia Araras

Blog da 1º turma de Especialização em Fitoterapia da Uniararas.
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